Florestas e Desmatamento

Alerta do INPE: 2.340 km² de cobertura florestal perdidos no Pará entre janeiro e julho

O sistema DETER do INPE registrou alertas acumulados de 2.340 km² de supressão florestal no estado do Pará nos sete primeiros meses de 2026, concentrados nos municípios do sul do estado.

Área de floresta com queimada recente registrada por imagem de satélite

O DETER — Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real — é operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e emite alertas com base em imagens de satélite. Os dados acumulados entre 1 de janeiro e 31 de julho de 2026, divulgados pelo INPE em 15 de agosto, indicam 2.340 km² de alertas de supressão florestal no estado do Pará, o que corresponde a 41% do total nacional registrado no mesmo período.

Distribuição municipal dos alertas

Os 20 municípios com maior área de alerta no Pará respondem por 74% do total estadual. A concentração é mais acentuada no arco sul do estado, em municípios situados nos limites do chamado arco do desmatamento, onde a pressão sobre a floresta combina expansão de pastagens, especulação fundiária e ausência de regularização territorial. O INPE não atribui causas nos dados do DETER; a informação reflete localização e área de supressão detectada, sem classificação de agente responsável.

Comparado ao mesmo período de 2025, o acumulado de 2026 representa uma variação de +8% no Pará. O INPE ressalva que flutuações de até 15% entre anos podem decorrer de diferenças na cobertura de nuvens durante as passagens dos satélites, o que afeta a detecção. A análise definitiva de área desmatada é publicada pelo sistema PRODES, com metodologia distinta e periodicidade anual, e não coincide numericamente com os alertas do DETER.

Mosaico de imagens de satélite mostrando fragmentação florestal em área do sul do Pará
Imagens de satélite utilizadas pelo DETER para identificar supressão florestal em municípios do sul do Pará ao longo de 2026.

Limitações do sistema de alerta

O DETER foi concebido para orientar ações de fiscalização em tempo próximo ao real; não é uma estimativa definitiva de desmatamento. O sistema tem sensibilidade mínima de 0,75 hectares por polígono e não detecta supressões abaixo desse limiar. Áreas com cobertura de nuvens não são analisadas nas passagens dos satélites, e o acumulado publicado inclui apenas as áreas efetivamente imageadas no período.

  • Período de referência: 1 de janeiro a 31 de julho de 2026, publicado em 15 de agosto
  • Total de alertas no Pará: 2.340 km², 41% do acumulado nacional
  • Variação em relação ao mesmo período de 2025: +8%
  • Fonte: INPE, sistema DETER — dados de acesso público em terrabrasilis.dpi.inpe.br
«O alerta do DETER serve de gatilho para fiscalização; a área real desmatada é calculada pelo PRODES no fechamento anual. Confundir as duas métricas leva a comparações que não se sustentam metodologicamente.» — Pesquisador de sensoriamento remoto, Instituto de Pesquisa da Amazônia

O que os dados permitem afirmar

Com base nas informações publicadas pelo INPE, é possível afirmar que o DETER emitiu alertas correspondentes a 2.340 km² no Pará no período de sete meses indicado, com concentração nos municípios do sul do estado. Não é possível, a partir desses dados, afirmar a área definitiva desmatada, as causas da supressão ou comparar com estimativas de outros sistemas sem declarar as diferenças metodológicas entre eles.

A Jusante consultou os dados do DETER em 27 de agosto de 2026, via plataforma Terrabrasilis, que os disponibiliza com atualização mensal. A próxima compilação do INPE para o período de janeiro a agosto está prevista para meados de setembro. Esta reportagem será atualizada com os novos números quando publicados.

Boletim

Dados florestais na sua caixa de entrada

Duas edições semanais com registros de desmatamento, clima e recursos hídricos da Amazônia.

Gratuito e cancelável a qualquer momento. Leia nossa Política de Privacidade.

Parceria

Sua organização cobre dados florestais?

Produzimos reportagens de dados com metodologia declarada para institutos, editoras e equipes de comunicação ambiental.