Comunidades

Pescadores do Marajó relatam queda de 60% na captura durante a estiagem prolongada

Pescadores artesanais da ilha do Marajó descrevem redução de 60% no volume de captura durante a estiagem de julho e agosto de 2026, associando a queda à combinação de nível baixo e temperatura elevada da água.

Barcos de pesca atracados em margem de rio durante período de águas baixas

Dezoito pescadores artesanais de três comunidades da ilha do Marajó foram ouvidos pela Jusante entre 14 e 18 de agosto de 2026. Todos relataram queda expressiva no volume diário de captura em comparação ao mesmo período do ano anterior. A redução média descrita foi de 60%, com variações entre 45% e 75% dependendo da espécie e do ponto de pesca. Os números são relatos dos próprios pescadores e não foram cruzados com registros oficiais de desembarque, que o Ministério da Pesca publica com defasagem de seis a doze meses.

O que os pescadores associam à queda

A explicação mais recorrente nas conversas, mencionada por quinze dos dezoito entrevistados, foi a combinação de dois fatores: o nível baixo da água, que reduz a área alagável acessível aos cardumes; e a temperatura elevada, que, segundo os pescadores, faz os peixes se deslocarem para trechos mais profundos e distantes. Nenhum dos entrevistados é pesquisador, e a Jusante não verificou a temperatura real da água nos pontos de pesca citados. Os relatos descrevem a percepção dos trabalhadores, não uma medição.

A pesca artesanal na ilha do Marajó concentra-se principalmente no mapará, na tucunaré e no filhote, espécies para as quais não existe série de dados de captura por comunidade de acesso público. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis registra os dados de desembarque em pontos de coleta específicos, mas a cobertura no arquipélago do Marajó é parcial. Não há como comparar os relatos de queda com séries históricas de captura local.

Canoa de pesca com redes expostas ancorada às margens de igarapé durante período de seca
Embarcação de pesca artesanal em igarapé próximo à ilha do Marajó durante o período de estiagem de agosto de 2026.

Contexto hidrológico e dados disponíveis

A ilha do Marajó fica na foz do rio Amazonas. O nível do rio Amazonas em Óbidos, principal referência de monitoramento, estava abaixo da mediana histórica de agosto na mesma semana em que os pescadores foram entrevistados — conforme dados da ANA publicados no sistema Hidroweb. A correlação entre o nível em Óbidos e as condições de pesca no Marajó não é direta, pois o estuário tem dinâmica própria influenciada pelas marés oceânicas. A Jusante não identificou dados hidrológicos publicados especificamente para os pontos de pesca mencionados pelos entrevistados.

  • 18 pescadores artesanais ouvidos em três comunidades, entre 14 e 18 de agosto de 2026
  • Redução média relatada no volume de captura: 60%, variando de 45% a 75%
  • Espécies afetadas citadas: mapará, tucunaré e filhote
  • Dados oficiais de desembarque no Marajó: não disponíveis em tempo real
«O rio baixo a gente aguenta. O que muda agora é que a água está quente e os peixes sumiram dos pontos onde a gente sempre pescou.» — Pescador artesanal, comunidade ribeirinha da ilha do Marajó

Limitações desta reportagem

Esta reportagem registra relatos de comunidade em situação de redução de renda. Os números de queda na captura são autorreferidos e não foram verificados por registros de desembarque ou por métodos de monitoramento independente. A Jusante tentou contato com a Superintendência do Ibama no Pará para obter dados de desembarque da região e não obteve resposta até a data de publicação. Qualquer atualização será incluída neste texto com data explícita.

Para contexto sobre o nível do rio Amazonas e os dados de Óbidos citados nesta reportagem, leia: «Nível do Rio Amazonas recua 1,8 m em 30 dias: o que os registros de Óbidos indicam», publicado em 30 de agosto de 2026. A verificação dos dados hidrológicos da ANA foi feita em 20 de agosto de 2026 via Hidroweb.

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