Água e Bacias

Nível do Rio Amazonas recua 1,8 m em 30 dias: o que os registros de Óbidos indicam

Os dados da estação fluviométrica de Óbidos registraram recuo contínuo de 1,8 metro no nível do rio Amazonas ao longo de agosto, situando a cota abaixo da mediana histórica do período.

Superfície de rio amazônico com nível visivelmente abaixo das margens em período de seca

A estação de Óbidos, operada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) no Pará, é o principal ponto de monitoramento do volume de água que passa pelo rio Amazonas antes de chegar à foz. Os números de agosto de 2026 mostram um recuo de 1,8 metro em 30 dias, situando a leitura 0,6 metro abaixo da mediana calculada para o mesmo período entre 1980 e 2020.

O que a série histórica registra

A ANA mantém leituras diárias de cota em Óbidos desde 1928. A mediana do mês de agosto nessa série é de 5,2 metros; no dia 30 de agosto de 2026, a leitura foi de 4,6 metros. Recuos de 1,5 metro em 30 dias ocorreram em seis dos últimos cinquenta anos durante a transição entre o período de cheias e a estiagem, mas a combinação com a cota abaixo da mediana distingue 2026 dos anos de referência mais próximos.

O sistema de monitoramento da ANA também publica a vazão associada a cada cota. A vazão medida no mesmo dia foi de 148.000 m³/s, contra uma mediana de agosto de 178.000 m³/s para o mesmo ponto. A diferença de 30.000 m³/s corresponde, em volume diário, a aproximadamente o dobro do que escoa pelo rio São Francisco em seu trecho médio durante a estiagem.

Trecho do rio Amazonas próximo a Óbidos com bancos de areia emergindo durante a estiagem
Bancos de areia emergem no trecho do Amazonas monitorado pela estação de Óbidos durante agosto de 2026.

Fatores que influenciam a cota em agosto

O nível do Amazonas em Óbidos resulta da contribuição de múltiplos tributários. A bacia do rio Negro, cujas chuvas costumam sustentar o nível do Amazonas até setembro, registrou precipitação acumulada em julho de 2026 cerca de 22% abaixo da média histórica do mês, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). A bacia do Madeira, que responde por aproximadamente 15% do volume médio em Óbidos, também apresentou déficit de precipitação no segundo trimestre do ano.

  • Precipitação na bacia do Negro: 22% abaixo da média de julho entre 1981 e 2010
  • Cota em Óbidos em 30/08/2026: 4,6 m, contra mediana de 5,2 m para agosto
  • Vazão associada: 148.000 m³/s, 17% abaixo da mediana histórica de agosto
  • Último recuo comparável de mais de 1,5 m em 30 dias: agosto de 2015
«O monitoramento de Óbidos é único porque capta a integração de toda a bacia antes da foz. Quando essa leitura cai abaixo da mediana em agosto, há implicações para a navegação, para a pesca e para o abastecimento de comunidades ribeirinhas ao longo de semanas.» — Pesquisadora de recursos hídricos, Universidade Federal do Pará

Próximas leituras e acompanhamento

A ANA publica leituras diárias no sistema Hidroweb, de acesso público. A tendência esperada para setembro, com base na climatologia histórica, é de continuidade da queda até meados do mês, seguida de estabilização. Se a cota atingir 4,0 metros antes de 15 de setembro, o nível se aproximará do limiar a partir do qual a navegação de embarcações de maior calado fica restrita nos trechos rasos entre Óbidos e Santarém.

Esta reportagem será atualizada quando a ANA publicar as leituras semanais compiladas. A última verificação dos dados utilizados aqui foi realizada em 30 de agosto de 2026, às 18h30 (horário de Brasília), via Hidroweb. Nenhuma projeção de cenário foi incluída neste texto; os números apresentados são registros publicados, não estimativas.

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