Água e Bacias

Vazão do Tapajós cai para mínima histórica registrada desde 1975

A série histórica da estação de Itaituba registrou, em 12 de agosto de 2026, a menor vazão do rio Tapajós desde o início do monitoramento regular pela ANEEL em 1975.

Leito do rio Tapajós com banco de areia exposto durante vazão baixa

A estação fluviométrica de Itaituba, no Pará, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) opera no rio Tapajós desde 1975, registrou em 12 de agosto de 2026 uma vazão de 4.820 m³/s. A leitura é inferior a todos os valores de agosto disponíveis na série de 51 anos que a agência mantém para esse ponto. A segunda menor leitura de agosto na série era de 5.100 m³/s, registrada em 2016.

O que a série de Itaituba documenta

O posto de Itaituba foi instalado pela ANEEL em 1975 para apoiar o planejamento energético da bacia do Tapajós. A série cobre 51 anos de leituras, com algumas lacunas nos primeiros anos de operação. A mediana dos registros de agosto nessa série é de 7.200 m³/s. O valor registrado em 12 de agosto de 2026 representa 67% dessa mediana. Entre os anos com registros abaixo de 6.000 m³/s em agosto — o que ocorreu em seis anos desde 1975 — nenhum atingiu valor tão baixo quanto o de 2026.

Os dados da ANEEL são publicados no Sistema de Informações Hidrológicas (SiH), de acesso público. A Jusante consultou o portal em 13 de agosto de 2026, e o valor citado é o publicado nessa data. A ANEEL pode revisar leituras de forma retroativa quando identifica inconsistências nos equipamentos; atualizações serão indicadas nesta reportagem com data explícita.

Banco de areia do rio Tapajós emergido com embarcação ao fundo durante período de vazão histórica baixa
Banco de areia no leito do Tapajós próximo a Itaituba durante o registro de mínima histórica de agosto de 2026.

Implicações para a navegação e o abastecimento

O Tapajós é rota de navegação para comunidades ribeirinhas e para o escoamento de produção agrícola do interior do Pará e do Mato Grosso, com porto de referência em Itaituba. A profundidade do canal navegável é diretamente proporcional à vazão. Abaixo de 5.000 m³/s, embarcações de maior calado passam a ter restrições de operação nos trechos rasos entre Itaituba e a foz. A Marinha do Brasil é a autoridade responsável por avisos à navegação nesse trecho e publica condições atualizadas em seu portal de avisos.

  • Vazão registrada em 12/08/2026: 4.820 m³/s, posto ANEEL de Itaituba
  • Menor valor anterior de agosto na série: 5.100 m³/s em 2016
  • Mediana histórica de agosto (1975–2025): 7.200 m³/s
  • Fonte: SiH/ANEEL, consultado em 13 de agosto de 2026
«Quando a série começa a 1975, cinquenta anos de dados são suficientes para identificar anos extremos com segurança. O que 2026 mostra é que o Tapajós nunca esteve tão baixo em agosto nessa série.» — Especialista em recursos hídricos, Universidade Federal do Pará

Contexto de bacia e próximas leituras

A bacia do Tapajós cobre aproximadamente 492.000 km² e suas principais cabeceiras estão no planalto central brasileiro, no Mato Grosso. O déficit de chuvas no segundo trimestre de 2026 nessa região, documentado pelo CPTEC em seu boletim de julho, contribui para explicar o comportamento da vazão em agosto. A relação entre precipitação nas cabeceiras e nível em Itaituba tem defasagem de semanas a meses, o que torna a recuperação dependente das chuvas de setembro.

A Jusante publicará uma atualização com os dados de setembro quando a ANEEL disponibilizar as leituras mensais compiladas. A verificação de dados hidrológicos desta reportagem foi feita em 13 de agosto de 2026, às 14h (horário de Brasília), via portal SiH/ANEEL.

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